Os Irresponsáveis
de Johann Chapoutot
Edições 70 · 2026 · PORTUGUÊS · 292 pp. · 9789724429601
A ascensão do nazismo não teve nada de inevitável. Resultou, em vez disso, do desespero dos partidos do extremo-centro, que, devido à sua incompetência, se viram progressivamente afastados do poder e decidiram aliar-se à extrema-direita. — Qualquer semelhança com a atualidade é pura coincidência. Um consórcio liberal-autoritário, formado por solidariedades empresariais, partidos conservadores (nacionalistas e liberais), meios de comunicação e elites administrativas, perde todo o apoio popular: com o avançar das eleições, passa de quase 50% para menos de 10% dos votos e questiona-se sobre como manter o poder sem maioria, sem parlamento, talvez sem democracia. Este extremo-centro considera-se, por natureza, destinado a governar: a sua política é a melhor e em breve dará frutos. Entretanto, é preciso aguentar: recorrendo aos poderes presidenciais, à violação da Constituição e à repressão. Num panorama parlamentar fragmentado em três blocos, este extremo-centro só vê uma solução: perante uma revolta generalizada, o poder, que não se baseia em nenhuma base eleitoral, decide aliar-se à extrema-direita, com a qual partilha, no fundo, quase tudo.
Fonte: Bertrand. (s.d.). Os Irresponsáveis. Bertrand. https://www.bertrand.pt/livro/os-irresponsaveis-johann-chapoutot/33157827?srsltid=AfmBOorEt3IEwdqGM9EWtuuyDsyme3dNDJeDgJ_NdlVYJ4G8Vnsnqn_C
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